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Exclusivos Jun 21, 2019 Daniel Sousa

¡Gracias, Fernando

Meu caro Fernando.

É com o coração pesado que começo a escrever este texto. A notícia apanhou-me de surpresa e sem estar preparado para lidar com ela. Como é que se diz adeus a um dos melhores avançados que vi jogar? 

Cresci a ver-te fazer golos de todas as maneiras e feitios. Juntos partilhávamos o amor pela atmosfera de Anfield e, Fernando, como tu foste feliz naquela casa. Se foi no Atlético Madrid que começaste a despontar, foi em Liverpool que encaraste na Europa nos olhos e lhe mostraste que estavas aqui para marcar uma era.

E marcaste. Três épocas e meia, Fernando. As melhores três épocas e meia da tua vida. Em Anfield tudo fazia sentido, tudo se alinhava na perfeição e as coisas fluíam naturalmente. Eras leve como uma pena, de toque refinado e elegante, letal na finalização e tão seguro de ti em todos os movimentos que fazias. Depois de Anfield... que se passou, Fernando? Não eras o mesmo. De repente já não estavas mais seguro mas sim a duvidar de ti mesmo e do teu valor. Já não eras leve como uma pena, as coisas já não fluíam naturalmente. 

O pós-Liverpool talvez leve as pessoas a não te recordarem daqui a uns anos. Mas para mim, que passava os sábados à tarde a ver-te fazer Anfield levantar-se e aplaudir time after time, terás sempre um lugar entre a elite. Aquele Fernando Torres, o Fernando Torres de Anfield, é facilmente um dos cinco melhores avançados que vi em campo.

Como os outros te vão recordar (ou se vão sequer recordar), não sei. Mas sei como eu te vou recordar: com um sorriso no rosto, feliz enquanto vejo e revejo as redes de Anfield a balançar de cada vez que decidias rematar, enquanto te vejo a fazer mais uma vez do Petr Cech e do Chelsea as vítimas prediletas dos teus melhores golos, e a pensar no quão sortudo fui por ter assistido a um avançado da tua categoria.

Por alguns dos melhores anos da minha vida enquanto adepto... ¡Gracias, Fernando.