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Counter-Strike: GO May 26, 2019 Daniel Sousa

Mucha: "Apesar de estarmos a evoluir passo a passo, ainda há muita guerra de interesses"

BRAGA - Evolução sim, mas com barreiras a precisarem de ser quebradas ainda. É assim que André "mucha" Muchagata vê o panorama atual do CS:GO português. Em conversa com o Universo do Desporto durante o XF Festival em Braga, o caster partilhou a sua visão acerca da situação atual do CS no país, falou da "invasão" portuguesa a Madrid para a BLAST Pro Series e ainda de como a prestação dos Vodafone Giants no evento permite quebrar barreiras para as equipas portuguesas.

"Estamos a dar os passos certos? Acho que sim, mas na minha ótica ainda há uma coisa que tem de ser resolvida, que são os problemas de bastidores, que não passam tanto cá para fora. Apesar de estarmos a evoluir passo a passo, ainda há muitos bloqueios nos bastidores, muita guerra de interesses que vai retardando um pouco esta nossa maior evolução", começou por dizer.

Apesar da evolução, Mucha considera difícil Portugal vir a ter um lugar entre as nações de topo no jogo: "Vai ser sempre muito complicado. Tens países que já têm o CS como cultura e, inevitavelmente, vais estar sempre atrás porque esses países estão em constante desenvolvimento. Várias vezes eu digo e volto a dizer: países como a Dinamarca, enquanto que nós temos interturmas de futebol e de andebol, e às vezes o andebol nem chega a acontecer, eles lá têm interturmas de CS. É praticamente impossível conseguires combater contra algo que já está tão enraizado."

A viagem até Madrid para apoiar os Giants na BLAST Pro Series: "O grande mérito obviamente é dos Giants porque eles é que nos deram esta possibilidade. Inicialmente fizeram aquele formulário para ver qual seria a aceitação da malta ir e vir no mesmo dia, tudo bem que não deixa de ser muito bom porque nós em termos de despesa pouco ou nada gastámos, somente se tivéssemos que parar na viagem e comprar alguma coisa. Mas ainda assim a malta acaba por levar sempre a comida e aguentar-se até lá e depois voltar. O mérito de juntar as pessoas claramente foi deles. Depois há aquela questão do empolgamento de poder fazer a diferença e foi basicamente isso que nós agarramos e fizemos. Isto para nós acaba por ser um bocado aquele grito de revolta porque nós ainda não temos grandes competições cá. Já contámos com a BLAST mas é muito recente. Já fizeram uma primeira edição, só que o povo português sente claramente que merece mais, merece maior e melhor."

O sucesso do primeiro evento realizado pela BLAST em Portugal leva a que o povo português peça pelo regresso. Mucha aponta a objetivos mais altos: "Nós pedimos é o Major! Obviamente que estamos a partir do pressuposto de que a BLAST veio para ficar e ponto final. Eles próprios já disseram que vão voltar, ainda não se sabe bem quando. Vai-se apontando ali para outubro, vamos ver se calha nessa data ou não mas basicamente é isso. É demonstrar que poucos ou nenhuns são melhores do que nós em termos de público."

Questionado sobre se a prestação em Madrid foi o "clique" de que os Giants precisavam para dar o próximo passo, Mucha acredita que seja o caso, mas acredita também que a prestação da equipa de Ricardo "fox" Pacheco permite quebrar barreiras para as restantes equipas portuguesas. "Acho que sim [que foi o clique] mas, se nós formos analisar as palavras dos jogadores nas próprias entrevistas da BLAST, todos eles dizem que tiveram um trabalho prévio muito grande. Foram muitas horas investidas. Sempre foi um dos tópicos que veio à baila, o até que ponto a equipa dos Giants está a treinar bem ou não, porque às vezes iam a qualificadores e não havia fio de jogo, havia falta de sinergia e eles ali quase de um momento para o outro - é óbvio que não é assim porque,  como ficas na sombra durante algum tempo, depois ficas à espera da maneira que se vão apresentar quando voltarem a aparecer - aparecem da melhor maneira. Agora, não só os Giants como as outras equipas também, tendo em conta que já foi quebrada essa barreira de bater nas melhores do Mundo, acabam por acreditar que é possível. Se formos a ver isso é basicamente a lei de tudo. Há uns anos atrás nós não tínhamos nenhum jogador português profissional. Essa barreira foi ultrapassada e hoje temos mais do que uma mão deles. Agora, em termos de equipas vai acontecer exatamente o mesmo.", concluiu.


Fotografia: Daniela Silva