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Exclusivos Jul 09, 2019 Rodrigo Carvalho

O balanço do Mundial feminino mais bem sucedido da história

O Mundial feminino chegou ao fim. 52 jogos que levaram a todos os cantos do Mundo o melhor do futebol. Sim, futebol. Falarmos apenas de futebol feminino seria limitar esta competição, que durante estes 30 dias foi quebrando recordes futebolísticos que vão para além de uma disputa de géneros. Este Mundial nunca foi uma luta entre géneros, mas sim um movimento pela igualdade, pelo respeito, mas também para a mediatização do próprio movimento. Não tenho dúvidas que conceitos como “igualdade no trabalho”, “meritocracia”, “direitos das mulheres”, “igualdade de géneros” ou “homossexualidade no desporto” são hoje, um mês depois do início deste Mundial, assuntos mais discutidos na nossa sociedade. Nunca será uma questão de dinheiro, ou como já disse, uma luta de géneros. É sim, a promoção dos direitos e da valorização do ser humano no seu todo, onde todos ficamos a ganhar pela valorização do desporto em si.

Quanto ao jogo dentro das quatro linhas, a equipa favorita acabou por vencer a prova, mas desengane-se quem pensa que este tenha sido um trajeto fácil para os Estados Unidos, ou qualquer outra equipa. Quase todos os jogos a eliminar foram bem disputados, equilibrados e com qualidade. Equipas como a Espanha, França, Austrália ou Noruega nem sequer chegaram às meias-finais, mas apresentaram níveis competitivos muito elevados e que prometem continuar a crescer. No final, destaque para a Inglaterra de Phil Neville, com o seu jogo de posse e habilidade para criar oportunidades. A Suécia demonstrou ser muito organizada defensivamente, e com capacidade para assumir o seu jogo ofensivo contra qualquer equipa do Mundo. As finalistas merecem o seu óbvio destaque: a Holanda, com a melhor defesa da prova até ao derradeiro encontro, provou ser uma potência atual da modalidade. Campeãs europeias, vice-campeãs Mundiais e muito talento num plantel que conta com jovens jogadoras que ainda vão oferecer muito a esta seleção, como Miedema, Groenen, Roord ou Beerensteyn, que juntamente com as talentosas Martens e Van de Donk vão liderar uma geração de ouro.

Os Estados Unidos foram dominantes desde o início da prova, e esse feito é justificado com apenas um dado estatístico: retirando o jogo da final, a equipa marcou um golo nos primeiros doze minutos dos restantes seis jogos. Apesar dos resultados a eliminar terem sido sempre equilibrados, muito devido à organização defensiva de Espanha, Holanda ou Inglaterra, só mesmo as britânicas é que conseguiram chegar frequentemente à baliza americana e colocar a seleção campeã do mundo em sentido. Com uma equipa cheia de opções, onde todas as jogadoras de campo foram utilizadas, houve vários grupos de jogadoras a destacarem-se. As estrelas da equipa: Morgan, Rapinoe e Heath, que foram um trio de ataque demolidor e sempre ativo, perigosas em organização ofensiva, mas também no contra-ataque. As jogadoras do futuro: Sam Mewis, Lindsay Horan, Rose Lavelle e Abby Dahlkemper, que se impuseram no seu primeiro Mundial e vão ser peças chave para os próximos anos da seleção americana. E também as jogadoras “silenciosas”, que pouco se dá por elas mas mostraram ser muito importantes em todas as suas ações: Crystal Dunn e Julie Ertz. Jogadoras com experiência, que foram muito regulares durante toda a prova e acabam por ser as duas jogadoras chave desta seleção. Ertz pelo equilíbrio que dá ao meio-campo, com a sua habilidade de se juntar à linha defensiva e formar uma linha de 5, mas também pela maneira como impede contra-ataques e começa os ataques americanos desde trás. Crystal Dunn pela sua polivalência, jogando fora da sua posição e, mesmo assim, defendendo grandes estrelas do futebol mundial, tornando-se a melhor lateral esquerda da competição.

Para concluir, vou deixar um pequeno resumo da final, com imagens relativas ao jogo dos EUA, com algumas das principais características das campeãs do Mundo.

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Imagem 2

Imagem 3

Imagem 4Imagem 5