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ATP Tour Jun 30, 2019 Daniel Sousa

Wimbledon: as previsões para o terceiro Grand Slam da temporada

O terceiro Grand Slam da temporada arranca já esta segunda-feira. As portas do All England Club abrem-se para os melhores tenistas do Mundo e para mais uma edição de Wimbledon, o torneio mais antigo da história da modalidade.

Depois do triunfo de Rafael Nadal na última etapa do Grand Slam, em Roland Garros, em solo britânico as coisas são diferentes para o espanhol. No lugar da terra batida - que é tão sua amiga - vai estar o tapete verde de relva, onde o maiorquino já não se sente tão confortável. Confira as previsões de Daniel Sousa para o Major inglês:


QUADRO MASCULINO

Principais favoritos:


Novak Djokovic

É inevitável. Em Wimbledon, Novak Djokovic é o favorito número um para conquistar o troféu. O sérvio não tem uma primeira ronda fácil, é verdade, mas é o melhor colocado para chegar à vitória final. Muito completo e competente em qualquer superfície, o sérvio tem um caminho relativamente tranquilo até às rondas mais avançadas caso consiga bater o sempre "chato" Philipp Kohlschreiber na estreia. Nos quartos de final é onde chegam os primeiros grandes problemas, com um possível confronto perante Stefanos Tsitsipas. Daí em diante, o grau de exigência aumenta e há a possibilidade de defrontar Stan Wawrinka nas meias-finais, no caminho para uma final onde pode defrontar Roger Federer ou Rafael Nadal.


Roger Federer

O rei da relva. No entanto, não considero Roger Federer o principal favorito por uma simples razão: encontros à melhor de cinco sets. O suíço não caminha para novo e, se é verdade que Wimbledon é onde tem maiores probabilidades de voltar a erguer um troféu do Grand Slam, não é menos verdade que não sabemos como vai lidar com encontros disputados à melhor de cinco partidas. O aspeto físico pode ser determinante mas, de qualquer forma, nunca podemos colocar Federer de parte. No que toca ao quadro, as primeiras duas rondas parecem relativamente fáceis para o tenista helvético. O grau de dificuldade aumenta no terceiro encontro, onde Lucas Pouille poderá ser o adversário. Ainda assim, tanto Pouille como Matteo Berrettini - possível oponente na quarta ronda - não deverão impedir Roger Federer de chegar aos quartos de final. Aí sim, o helvético poderá ter um teste de fogo perante o aguerrido Kei Nishikori. Nas meias-finais existe a possibilidade de mais uma edição do Fedal e, na final, Novak Djokovic é um adversário provável.


Rafael Nadal

O último integrante do big 3 tem que estar no lote de favoritos, mesmo que seja conhecido de todos que a relva não é a superfície onde Nadal se dá melhor. O maiorquino calhou num local do quadro que o deixa com potenciais adversários muito perigosos até à final. Se Yuichi Sugita é um nome relativamente acessível para a estreia, as contas de Nadal complicam logo na segunda ronda, onde tem projetado um possível embate com Nick Kyrgios. Daí, o espanhol pode não ter caminho descansado até ao final da prova. Nas projeções, o caminho de Nadal após a segunda ronda pode ser composto por Denis Shapovalov (terceira ronda), Marin Cilic (quarta ronda), Dominic Thiem (quartos de final), Roger Federer (meias-finais) e Novak Djokovic (final).


Jogadores a ter em conta:


Stefanos Tsitsipas

O grego já não é uma promessa mas sim uma certeza. Atual campeão em título do Millennium Estoril Open, Tsitsipas já mostrou que consegue bater o pé a qualquer jogador do Mundo. Resta apenas saber se o conseguirá fazer de forma regular e em cinco sets de forma a poder surpreender no All England Club. Com estreia agendada perante Thomas Fabbiano, Tsitsipas poderá defrontar Ivo Karlovic na segunda ronda e Kyle Edmund na terceira. A partir da quarta ronda, as projeções para o caminho do helénico começam a complicar: Danill Medvedev, Novak Djokovic (quartos de final), Stan Wawrinka (meias-finais) e Roger Federer (final) podem completar um possível caminho de Tsitsipas até ao troféu.


Stan Wawrinka

Porque não? Bom serviço, bom jogo de rede... Wawrinka tem tudo o que é preciso para ser feliz na relva. O suíço mostrou um grande nível de jogo em Roland Garros e é bem sabido que tem a capacidade para vencer qualquer pessoa. Muito, muito cuidado com o cabeça de série n.º 22, que se estreia perante Ruben Bemelmans. O primeiro grande oponente de Wawrinka pode surgir na terceira ronda na forma de Milos Raonic. A partir daí, o helvético pode defrontar Kevin Anderson, Alexander Zverev, Novak Djokovic e Roger Federer até ao título.



QUADRO FEMININO

Principais favoritas:


Karolina Pliskova

Tem um ténis propício para o sucesso em relva e vem com a confiança reforçada depois de uma semana de grande ténis em Eastbourne, onde se sagrou campeã. A checa é um dos alvos a abater no All England Club e o quadro projetado até à final não é particularmente fácil: Su-Wei Hsieh pode sair no caminho logo na terceira ronda e a ela podem seguir-se Marketa Vondrousova, Elina Svitolina e Naomi Osaka, até uma possível final frente à líder do ranking, Ashleigh Barty.


Petra Kvitova

Vai sempre ser favorita à vitória em Wimbledon. Vencedora do torneio em 2011 e 2014, a checa regressa ao All England Club para procurar a terceira coroa. À semelhança da compatriota Karolina Pliskova, tem também ela um ténis propício para a relva: um maravilhoso serviço de canhota e um jogo de rede muitíssimo apurado. Tem uma estreia marcada frente a Ons Jabeur e projeta-se um encontro complicado na segunda ronda frente a Kristina Mladenovic. Depois disso, poderá vir a medir forças com a jovem sensação Amanda Anisimova e com Sloane Stephens antes de chegar aos quartos de final, onde pode medir forças com a líder em número de ases disparados esta temporada: a holandesa Kiki Bertens (303 ases em 2019). Nas meias-finais, há todo um leque de possíveis oponentes de peso para Kvitova: a número um mundial Ashleigh Barty, a espanhola Garbiñe Muguruza, a norte-americana Serena Williams, a russa Maria Sharapova (porque não?) ou a alemã Angelique Kerber. O caminho de Kvitova não é fácil até à final, mas a checa já venceu a prova por duas vezes e, por isso, porque não uma terceira?


Jogadoras a ter em conta:


Angelique Kerber

A alemã está em grande forma. Apresentou um grande ténis em Maiorca, chegou à final em Eastbourne e chega a Wimbledon para defender o título conquistado na temporada passada. Aos 31 anos, Kerber continua fiel a si mesma: com muita qualidade na hora de se defender, com pilhas que nunca mais acabam e com uma pancada de direita de elevado nível. Tem todos os ingredientes para voltar a ser feliz em Inglaterra.


Ashleigh Barty

Bem, afinal de contas é a número um mundial e campeã em título de Roland Garros, não é? O salto que Ashleigh Barty deu em termos qualitativos é notório e a australiana chega ao terceiro Grand Slam da temporada com um gigante alvo nas costas: todas querem bater a número um do Mundo. Inserida numa metade do quadro complicada, onde existem nomes como Serena Williams, Maria Sharapova, Angelique Kerber, Kiki Bertens, Petra Kvitova ou Johanna Konta, a tarefa de Barty em chegar à final será tudo menos fácil. Mas, até aqui também ninguém reparava na australiana e ela lá foi escalando posições até chegar ao topo...


Maria Sharapova

Pode ser um palpite totalmente errado... ou totalmente certo. Ou então apenas o meu lado que simpatiza com Sharapova a falar mais alto. Mas a verdade é que, se o ombro não lhe der problemas, não a podemos descurar. Como se coloca de parte aquela que foi a segunda tenista mais jovem da história a vencer Wimbledon? Poderei estar doido, é verdade, mas tenho a sensação que esta pode ser uma das últimas grandes runs da russa num torneio do Grand Slam.